Richard Dawkins, além de célebre cientista e divulgador científico, também é famoso por fazer críticas abertas ao especismo: a ideia de que, por pertencermos à espécie humana, somos moralmente superiores. Leia na íntegra o que diz Dawkins no livro O Gene Egoísta:

"Muitos de nós recuamos constrangidos diante da execução de um ser humano, não obstante se trate do mais terrível criminoso, ao passo que defendemos despreocupados a exterminação sem julgamento de pragas relativamente pouco nocivas. A bem da verdade, matamos membros de outras espécies inofensivas como forma de recreação e divertimento. Um feto da nossa espécie, desprovido de mais sentimentos humanos do que uma ameba, goza de um respeito e de uma proteção legais que excedem em ampla medida aqueles concedidos a um chimpanzé adulto. E, contudo, o chimpanzé sente e pensa e — de acordo com os achados experimentais recentes — é até mesmo capaz de aprender alguma forma de linguagem humana. O feto pertence à nossa espécie e, por essa razão, conta instantaneamente com privilégios e direitos especiais. Será que a ética do "especismo", para usar o termo de Richard Ryder, se sustenta em bases biológicas mais sólidas do que a ética do racismo? Eu não sei. O que sei é que ela não encontra nenhuma fundamentação na biologia evolutiva." (Richard Dawkins, em O Gene Egoísta: São Paulo, Companhia das Letras, 2007, p. 50-51)

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