Acho que a pior parte de ser um produtor de conteúdo lidando com um público sedento por novidades e algoritmos invioláveis é ter que se forçar constantemente a encontrar assunto após assunto a partir dos quais você faz vídeos, textos, comentários, etc. Parece ser uma espécie de trabalho jornalístico, em que devemos estar constantemente atentos aos assuntos que estão na boca do povo, ou na boca das pessoas que você quer, de fato, atingir.
Claro, você pode perfeitamente seguir o próprio fluxo de interesses próprios, mas constantemente isso não ajuda, e você se vê forçado, na medida em que quer atingir um público cada vez maior, a vocalizar justamente os assuntos que estão sendo vocalizados por outros.
Os assuntos tidos como "atemporais" (aqueles que não dependem do momento para serem interessantes) acabam ficando de lado, tudo pelo interesse genuíno de alcançar um público que poderá te acompanhar com o tempo e, assim, passar a ser um porto seguro de atenção para quando você resolver que tratará dos "assuntos atemporais", sem medo de ter seu alcance e influência zoados pelos algoritmos e falta de interesse alheios.
No final do dia trata-se de uma espécie de prostituição intelectual, em que você aspira o sucesso, a fama ou a relevância, mas está constantemente flertando com o risco de receber apenas migalhas, de modo que sua única justificativa para continuar tentando é dizer a si e aos outros: "eu produzo todo esse conteúdo porque gosto, porque é um hobby".
Alguns cansam e dão um tempo, outros simplesmente desistem. Alguns até alcançam a fama, mas já estão corrompidos. Outros fazem de sua fama, sucesso e reconhecimento algo realmente valioso, que educa, inspira e motiva as pessoas a tentarem também.
O fato é que estamos constantemente flertando com o acaso, e se por acaso eu der sorte, eu dei.