John Locke, filósofo iluminista inglês reconhecido por ser o pai do liberalismo e do empirismo filosófico, foi da opinião de que a crueldade praticada contra animais desde a infância deve ser desincentivada. Confira nas palavras do próprio Locke:

"Algo que eu tenho observado frequentemente em crianças é que quando estão em posse de qualquer criatura frágil, elas estão aptas a usá-la malevolamente: muitas vezes elas irão atormentar e tratar bruscamente passarinhos, borboletas, bem como qualquer outra criatura frágil que cair em suas mãos, e o farão com uma espécie de prazer aparente. Penso que isso deveria ser observado nelas, e caso estejam inclinadas a qualquer tipo de crueldade, deveriam ser ensinadas a agir de modo diferente. Pois o costume de atormentar e matar animais irá, aos poucos, endurecer suas mentes mesmo para com os homens; e aqueles que se comprazem com o sofrimento e destruição de criaturas inferiores não estão aptos a serem muito compassivos ou benignos para com os seus semelhantes. A nossa prática observa isso na exclusão de açougueiros em júris de vida ou morte. As crianças deveriam ser criadas desde o início com aversão ao ato de matar ou atormentar qualquer criatura viva; e ensinadas a não estragar ou destruir qualquer coisa, a não ser para a preservação ou benefício de alguma outra coisa mais nobre."

John Locke, Some Thoughts Concerning Education. Vol. XXXVII, Part 1. The Harvard Classics. New York: P.F. Collier & Son, 1909-14. Tradução de Gabriel Garmendia de Trindade.

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