Questionar-se deve ser sempre um norte. Afinal, estamos crendo em uma verdade ou em uma mentira? A autoridade daquele que nos fala é (ou deveria ser) determinante para nossa crença? Entre dois especialistas falando sobre o mesmo assunto, porém discordando, em quem um leigo deve confiar? São várias questões que são suscitadas diante da análise da verdade de proposições, especialmente científicas e filosóficas, que podem ou não nos aproximar de algum grau de ceticismo. Uma coisa, porém, me parece inegável: operamos pela confiança, e por isso dependemos do reconhecimento de credibilidade por parte do interlocutor para que suas ideias sejam levadas a sério por nós. Nesse sentido, alguém que queira ser um bom enganador deverá, antes de tudo, ser alguém com alta credencial. Desconfiar mesmo daqueles que têm crédito, portanto, não está injustificado. Só não podemos perder nossa base: precisamos confiar para conhecer, pois nada mais natural ao conhecimento do que a crença, que o constitui.