Num momento sou workaholic, totalmente dedicado a fazer acontecer, empolgado com tudo que toco e desejante de produzir e produzir e ver o resultado do que tô fazendo. No outro momento, sou pseudo-depressivo, sem rumo, com vontade de ficar apenas deitado e sem cabeça e entusiasmo pra qualquer coisa. Meu lado workaholic fica puto com essas pausas demoradas, afinal é perda de tempo frente à necessidade de fazer tantas coisas ainda não realizadas; já meu lado pseudo-depressivo julga meu lado workaholic como uma ficção geradora de sentido, algo meramente útil frente ao fato (?) de que a vida não tem um sentido objetivo, que somos produtos evolutivos de uma grande complexidade que não entendemos e nunca iremos compreender. Há boas "razões de ser" de ambos os lados, como se uma coisa nivelasse a outra, combatendo seus excessos. O problema é ficar estagnado numa das condições, apontando constantemente a outra como fútil, desesperada e totalmente equivocada. Essa inconstância de estados de espírito é interessante, e me ajuda a perceber o quão complicado é existir - afinal, em última instância, não sabemos ao certo porque existimos (se há um propósito ou há apenas acaso), e se perguntar sobre isso, a fundo, pode ser perigoso.