O que a escravidão nos ensina sobre veganismo?

“BRASIL, RIO DE JANEIRO, LAGUAYRA – Os escravos brasileiros são uma classe de homens bastante forte e robusta, e de comportamento tranquilo. A sua alimentação consiste em arroz, frutas e pão feito com farinha de mandioca bem grossa. Eles conseguem suportar duros trabalhos e carregar pesos enormes sobre suas cabeças por uma distância de até uma milha sem precisar descansar. É comum vê-los em grupos ou bandos troteando rapidamente, estimulados pelo som de um sino às mãos do seu líder, cada um deles carregando um saco de café de oitenta quilos sobre suas cabeças, como se aparentemente não pesasse nada... Eles são conhecidos por raramente ficarem doentes ou mesmo ter febre... Os escravos congoleses do Rio de Janeiro subsistem por meio de uma alimentação de vegetais, e eles são uns dos homens mais bonitos do mundo. Eles têm mais de um metro e oitenta de altura, são bastante proporcionais em todas as formas possíveis e notavelmente atléticos... Os trabalhadores de Laguayra não consomem nenhum tipo de carne e são uma raça excepcionalmente sadia e resistente. Um único deles é capaz de carregar um tonel de carne de gado ou porco em seus ombros e levá-lo caminhando da área de carga até a alfandega, a qual se localiza no topo de uma colina, íngreme demais até mesmo para carruagens subirem. Os seus soldados igualmente sobrevivem com apenas uma alimentação de vegetais e são homens de uma compleição excelente.” – Anna Kingsford (‘The Perfect Way in Diet’, Terceira Edição, 1887, p. 23)

É curioso que, mesmo vítimas da escravidão, a saúde dos negros fosse invejada pelos brancos. Mais curioso ainda é que sua saúde fosse fruto de uma alimentação basicamente vegana. Isso lembra bastante a tese do documentário Dieta de Gladiadores, que fala sobre os antigos gladiadores, todos também escravos, serem predominantemente vegetarianos, fortes e invejavelmente saudáveis. É pra se pensar.

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