>critique os ancaps
>defenda o mesmo proprietarismo tosco que diz que a propriedade privada é absoluta e o dono pode fazer o que quiser

Censura não é apenas quando é praticada pelo Estado, empresas privadas (como redes sociais) também podem fazer o mesmo
E quando é uma política extremamente seletiva (você não vê a esquerda sendo vítima como a direita) e com critérios bastante subjetivos como fake news e discurso de ódio você dá brecha para todo tipo de arbitrariedade

Tratar redes sociais como uma mera propriedade individual (como sua casa) é um grande erro. Essas redes foram criadas como ambientes livres e abertos e agregam a maioria esmagadora da sociedade. Ao entrar na rede os termos apresentam critérios bem vagos e não falam em momento algum que a rede tem uma preferência ideológica (quando tem). Até 2017 o facebook, o twitter e o youtube eram redes extremamente livres, você raramente era banido por conta de seus posicionamentos políticos. Depois disso a coisa muda e a rede começa a adotar políticas de "combate às fake news e ao discurso de ódio", mas curiosamente só um lado político acaba sendo vítima. Em 2018 200 páginas de direita foram excluídas em um só dia, nada parecido jamais ocorreu com a esquerda. E nem estou negando que há bastante fake news e discurso de ódio sendo difundido por certas páginas de direita, mas ao mesmo tempo você tem páginas de esquerda como Mídia Ninja, Jornalistas Livres (que me acusou de fazer um evento neonazista e o post tá no ar até hoje), Intercept, Carta Capital e afins que difundem notícia falsa a rodo e nunca foram punidos.
Tem influenciadores como Jones Manoel, Lucas Rubio, Saia da Matrix e afins que defendem abertamente o extermínio de pessoas que pensam diferente na revolução comunista e estes também jamais foram punidos por discurso de ódio.
Uma pessoa como a Patrícia Lélis que fez acusações falsas de estupro, forjou uma ameaça, fingiu ter até mesmo um filho que não é dela jamais foi punida por fake news e tem até selo de verificado.

Os vieses são claros e evidentes. Se o facebook tivesse sido criado como uma rede esquerdista ou direitista eu não veria problema nele banir um lado político. Mas não, ele nasceu e se vendeu como uma rede imparcial que começa a censurar um determinado lado do espectro para influenciar no resultado político, algo pouco democrático inclusive.
Pensem num shopping, o dono não pode do dia pra noite proibir pessoas de entrarem só por conta da preferência ideológica, só porque "hur dur ele é o dono". E se você acha isso razoável, faça outro raciocínio, imagine se o dono fosse um racista e começasse a proibir a entrada de pessoas por conta da cor da pele, obviamente seria um problema e ele não poderia fazer isso só por ser proprietário.

Uma coisa é você expulsar alguém da sua casa por razões ideológicas, outra coisa é você ter uma propriedade que sempre foi aberta ao público e querer banir alguém por razões ideológicas tendo como base critérios extremamente vagos.
Quando é um critério objetivo eu até entendo. Por exemplo, o facebook sempre proibiu pornografia, é algo fácil de identificar. Se o cara postou pornô é ban na hora. Mas o próprio conceito de "discurso de ódio" é extremamente vago, já vi críticas comuns ao feminismo serem classificados como discurso de ódio por exemplo. Quando é um ato como racismo que toda rede social sempre proibiu também acho ok o banimento e porque também é algo mais fácil de identificar, mas e quando uma crítica ao feminismo automaticamente resulta em ban por machismo?

Vocês estão literalmente aplaudindo uma corporação censurar um grupo político específico para influenciar no resultado político de um país, estão aplaudindo discriminação velada contra um lado do espectro político.
Donald Trump é um verme que merece até ser preso pela invasão que provocou, mas não vejo com bons olhos um banimento claramente ideológico enquanto até o Maduro e o ditador iraniano mantém suas contas no twitter sem problema algum.

~~ Lucas Sampaio

1 comment

Propriedade privada é absoluta e o dono pode fazer, sim, o que quiser.

Eu, um ancap, defendo que o Facebook e o Twitter possam sim negar qualquer pessoa por qualquer critério que eles quiserem, desde que previsto no contrato.

Como ancap também vejo a justiça com um serviço que possa ser contratado de qualquer empresa, o que tornaria processar as mídias por quebra de contrato muito mais fácil. Hoje no Brasil é extremamente difícil e custoso processar essas empresas e nos EUA é impossível pela forma como elas são classificadas.

Essas empresas ficaram gigantes e o mérito é realmente delas, elas se tornaram como um monopólio e o Estado nem precisou ajudar muito, elas fizeram isso por competência própria. Porém essa censura acontece por pressão do Estado e o que essas redes precisam é de concorrência. Redes sociais são uma tecnologia ainda nova e esse período de transição é necessário. Como toda tecnologia é um monoopólio de quem a inventa até que os concorrentes corram atrás.

Mas quando elas praticam censura elas perdem público, então censurar não é de todo interesse delas. Portanto, como sempre, o verdadeiro problema é a existência do Estado.