Ontem postei o que fiz com um camundongo (evitei matá-lo após tê-lo pego) e algum ofendidinho resolveu compartilhar meu post num grupo conservador (não vou dar nomes, embora já saiba quem seja). Surgiu monte de gente me zoando ou apontando que serei o responsável pela nova peste bubônica, e que o caos social se instalará porque, afinal, eu salvei um animal de 7 centímetros.
É incrível como o método de ataque político (promover caça às bruxas de quem se discorda), a afecção proporcionada (mostrar-se ofendido com um ato localizado) e o fatalismo denunciado (defender que tal ato culminará num desequilíbrio social) representam exatamente o tipo de tática que há tempos tem tornado um lixo o debate público, só que agora com o sinal trocado: se antes eram os justiceiros sociais promovendo linchamento virtual, hoje são os conservadores mimizentos se sentindo ofendidos porque alguém contrariou seus valores sacros, mostrando que talvez os animais não sejam tão inferiores aos humanos como gostam de pensar.
Em certo sentido eu dou risada da situação: ora, um bando de marmanjo se ofendendo porque alguém salvou um rato é risível. Ainda assim, a situação é preocupante, porque mostra exatamente o tipo de coisa que venho criticando há tempos, que é o tribalismo político determinante da política nacional.